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IMIGRANTES PIONEIROS EM MINAS GERAIS

ITALIANOS EM S.J. NEPOMUCENO - VIÇOSA - VARGINHA

IMIGRANTES EM MINAS GERAIS
BELO HORIZONTE - GOVERNADOR VALADARES
JUIZ DE FORA
S. J. DEL REY - UBÁ - MONTE SIÃO
P. CALDAS - O. FINO - P. ALEGRE
S.J.NEPOMUCENO - VIÇOSA - VARGINHA
M. DE ESPANHA - CARANGOLA - ANDRADAS - LEOPOLDINA - CATAGUASES
GUIA NACIONALIDADES EUROPEIAS
PESQUISAS E BUSCAS DE CERTIDOES NA ITALIA, NA ESPANHA E EM PORTUGAL

IMIGRANTES EM SAO JOAO NEPOMUCENO

Provavelmente o nome do vapor Colombo será o mais lembrado em qualquer comunidade de imigrantes em Minas Gerais, por ter sido o que mais viagens realizou sob contrato com a Província. Partindo normalmente de Genova, no Porto do Rio de Janeiro deixou milhares de lavradores esperançosos, italianos fugindo da fome que grassava na terra natal. Assim aconteceu no início de 1896 quando quase 1.400 italianos embarcaram em Genova. No dia 3 de abril, no Porto do Rio de Janeiro, desembarcaram do Colombo 904 italianos contratados para trabalhar na terra mineira. Viajando na 3ª classe como era habitual, aqueles italianos provavelmente não imaginavam o sofrimento que ainda teriam que suportar antes de encontrar um pouso adequado.

Notícias de jornal nos fazem acreditar que foram dificílimas as horas passadas na Agência de Imigração à espera de autorização para seguirem rumo à estação ferroviária onde embarcariam com destino a Juiz de Fora. A falta de higiene que já os acompanhava no vapor provavelmente tornou-se ainda mais difícil de suportar durante aquelas intermináveis horas que os separavam do vagão do trem. É fácil imaginar o sofrimento daqueles bravos imigrantes quando sabemos que entre os 904 passageiros estavam incluídas crianças de até um mês de idade, nascidas durante a viagem. Quem de nós pode permanecer impassível ao pensar em crianças famintas, sujas, sem um lugar para dormir adequadamente há mais de 30 dias, agarradas talvez na barra das saias de suas mães que nada podiam fazer para minorar o sofrimento da prole?

Mais de quarenta horas após desembarcarem no Rio, o grupo de imigrantes deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora. A viagem de trem foi apenas um complemento torturante a mais. Viajavam como carga viva, sem um mínimo de conforto, em vagões que pareciam adequados apenas ao transporte de animais. E em Juiz de Fora foram "despejados" num alojamento que longe estava de ser uma decente hospedaria.  Analisar os livros daquela hospedaria constitui-se num exercício de paciência e coragem. Quantas histórias de vida escondem-se atrás daquelas listas de nomes, de medicamentos consumidos, de doentes graves e mortos?   Mas, acreditamos que o pior vexame ainda estava por vir. Os fazendeiros da região ou seus prepostos viajavam para Juiz de Fora com a mesma disposição que alguns  anos antes saíam para comprar escravos. Todos sabemos que o 13 de maio de 1888 é apenas uma data no calendário que não significou de fato a imediata extirpação da chaga social que foi a escravatura. Os corredores muitas vezes imundos da Hospedaria Horta Barbosa foram palco de avaliações desumanas por fazendeiros que vinham em busca de trabalhadores. De certa forma cerceados pela propaganda oficial de garantia de direitos aos trabalhadores ditos livres, nem assim conseguiriam esquecer séculos de relacionamento de posse com os subalternos. E, claro, precisamos também considerar que muitos daqueles fazendeiros tinham sofrido um bom desgaste econômico com a abolição.  Alguns imigrantes conseguiam ser escolhidos logo nos primeiros dias em que chegavam a Juiz de Fora. Outros, e parece-nos que foi o caso da grande maioria, passavam longos períodos por ali. As normas da Secretaria de Terras e Colonização limitavam a 5 dias o prazo de permanência na Hospedaria. Basta no entanto folhear um dos livros de registro para comprovar que os 5 dias eram, na maioria das vezes, o prazo mínimo que um grupo de viajantes de determinado vapor ficava à espera de "ser escolhido" por algum fazendeiro. Como exemplo citamos algumas famílias que viajaram pelo Colombo em 1896. Natale Rampazzo, de 31 anos, e sua esposa Maria, de 19 anos, procediam da província de Padova, região do Veneto. Se ainda não conheciam os Mazzuccato, provavelmente com eles se relacionaram durante a travessia do Atlântico. Também procedentes da província de Padova, Giovanni Mazzuccato de 61 anos, a esposa Colomba, de 44 anos, os filhos Erminia (11), Rosa (7) e Eugenio de 9 meses formaram com os Rampazzo e os Grigoletto o grupo de imigrantes escolhido pelo fazendeiro José Braz de Mendonça, de Roça Grande, São João Nepomuceno.  Permaneceram na Hospedaria Horta Barbosa somente por 3 dias e por este motivo podem ser considerados privilegiados.  Desconhecemos a existência de parentesco entre Natale Rampazzo e o resto do grupo. Sabemos que Giovanni Mazzuccato era irmão de Eurosia Mazzuccato que viajou como membro da família de Bortolo Grigoletto, outro chefe escolhido por José Braz de Mendonça. Aliás, segundo o manifesto do vapor, Bortolo Grigoletto tinha 34 anos, a esposa Maria estava com 27 anos e viajaram com os filhos Natale (3) e Lucia (1), além de Eurosia Mazzuccato de 68 anos e Antonia Grigoletto de 69  anos, as duas últimas sogra e mãe de Bortolo. O fato de terem sido escolhidos quase imediatamente pode ter sido decorrência de uma boa conversa com o fazendeiro. Parece-nos que Bortolo Grigoletto, que residia na "comune" de Albignano, província de Milano, região da Lombardia, seria uma espécie de líder da grande família que imigrou naquele ano.  A mesma sorte não deu um outro grupo de viajantes do Colombo que também foi contratado para trabalhar em Roça Grande. Luigi Capellotto, de 38 anos, a esposa Teresa de 32 anos, e os filhos Luigia (10), Emma (7), Preste (5) e Blandina (2), procediam da "comune"de Illasi, província de Verona, região do Veneto. Da mesma "comune" eram os companheiros de viagem Giovanni Mellis de 44 anos, a esposa Angela de 41 anos, e os filhos Marcello (16), Antonio (11) e Silvio de apenas 6 meses. Da província de Lucca, região da Toscana, eram Tebaldo Ceccaretti de 28 anos e sua esposa Mariana, de 26 anos. Da mesma região da Toscana, mas da "comune" de Carmignano, província de Prato, eram Luigi Benedaro de 31 anos, a esposa Anna de 34 e a filha Brigida de 5 anos.  Da região da Lombardia, província de Cremona, "comune" Rivolta d'Adda, procediam Giuseppe Boffa de 25 anos, a esposa Luigia 21 anos e o pequeno Stefano de 1 mês.  Também da região da Lombardia, mas da província de Bergamo, "comune" Ghisalba eram os demais membros deste segundo grupo: Giuseppe della Giovanna de 31 anos, sua esposa Giovanna de 21 anos e a família Carminatti.  Giovanni Carminatti de 35 anos, a esposa Angelina Pagano de 30 anos, e os filhos Dalva (8), Guglielmo (6), Arturo (4), Gregorio (2) e Silvio de apenas 7 meses completavam a lista de trabalhadores contratados por Joaquim Pereira de Sá no dia 20 de abril de 1896. Portanto, além de todo o sofrimento da viagem de navio, da longa espera no Rio pelo embarque no trem, do horror de uma viagem em vagão de carga, ainda tiveram que passar 15 dias "depositados" na Hospedaria Horta Barbosa antes que um fazendeiro os escolhesse.

Obs. os creditos referentes ao presente texto foram extraviados, por isso nao foram colocados os nomes de seus autores

IMIGRANTES PIONEIROS EM VARGINHA
 

No século passado, tropeiros compravam mercadorias em São Paulo e vendiam para o sertão mineiro. Esses comerciantes viajavam em tropas e dormiam em cabanas, erguidas de seis em seis léguas. O atual bairro da Vargem era um desses pontos de descanso. Neste local surgiu o primeiro povoado de Varginha, no final do século dezoito. Os primeiros documentos de que se tem notícia sobre a história de Varginha datam de 1780.

Até 1882 Varginha chegou a ter 1700 escravos. O beco onde está o Colégio Pio XII era um centro de comércio de escravos. A cidade recebia suas primeiras empresas e o movimento era intenso. No relacionamento internacional a situação não era favorável . A Inglaterra fazia pressões sobre Brasil, um dos últimos países que continuava comercializando escravos. Mercadoria em falta acarreta alto valor: um escravo passou a custar o equivalente a uma fazenda. O trabalho escravo já não possuía atrativos suficientes.

O Brasil firma, então, um acordo com a Itália, quando vários imigrantes deslocam-se de sua terra natal para o nosso país. A passagem era paga pelo governo brasileiro, em troca de cinco anos de trabalho na lavoura.

Os primeiros imigrantes trabalharam nas fazendas de café do município, como as do Cel. João Urbano, Matheus Tavares e Domingos Teixeira de Carvalho.

Após esse período, a comunidade italiana, que veio para a então Vila de Varginha, já está completamente integrada aos aspectos da sociedade local. Sua presença é intensa, assim como as colônias portuguesa e espanhola. A influência de alguns imigrantes continua até hoje, através do estilo de diversas casas, principalmente no centro.

Em 11 de agosto de 1895 é fundada a Sociedade Italiana de Beneficência, cuja primeira sede foi construída à rua Wenceslau Braz (no prédio onde funcionou o Cine Brasil, primeiro cinema itinerante da região, o Banco Nacional e a Sociedade Rádio Clube de Varginha).

Deve-se ao italiano Rafaelo Romaniello a construção da primeira empresa que fabricava massa. Sua fábrica funcionava em frente à praça Dom Pedro II, o "Jardim do Sapo". Funcionava através de tração animal. Um burro puxava o maquinário.

Em 1905, o empresário italiano Roque Rotundo adquire o casarão construído pelo major Matheus Tavares, onde hoje está a Câmara Municipal. Líder da colônia italiana, Roque Rotundo foi um dos mais expressivos membros da comunidade italiana. Ajudava seus conterrâneos na administração de seus bens, inclusive fazendo depósitos e retiradas no Banco do Brasil. Em contrapartida, os trabalhadores faziam todas as compras na Casa Rotundo.

Em 1920, o Censo contabilizava 870 italianos em Varginha. Em 1945 morre Roque Rotundo. A "Rotundo & Cia Ltda" prossegue suas atividades, passando a vender também brinquedos, antes encontrados apenas na loja Humberto Conde. Em 1952, Miguel de Lucca, outro italiano que teve importante papel dentro da história de Varginha, sai da sociedade da empresa para integrar a direção do Moinho Sul Mineiro.

A história do Moinho Sul Mineiro é motivo de orgulho para toda a cidade. Foi fundado por um grupo de varginhenses, constituído por Miguel de Lucca, Reynaldo Foresti, Heitor Foresti, José Orlando Fenocci, José Pinto de Oliveira, Álvaro Mendes, Foresti Rotundo & Cia Ltda, Francisco Rosenburg, Osvaldo de Paiva Pinto, José Adélio de Rezende, Antonio Mendes, Ludovico Loyola, Rubens Vicente de Lucca, João Vidal Filho e Bráz Paione.

Outra família que participa ativamente do desenvolvimento da cidade é a Navarra. Teve importante papel no desenvolvimento da siderurgia (fabricação de portões, janelas, decorações em ferro), assim como a família Lentini, que mantém-se até hoje como uma das poucas empresas da cidade a fabricar equipamentos em aço inoxidável e aço carbono para indústrias.

O trabalho que marcou para sempre a atuação da família Navarra foi a construção do Theatro Capitólio(lincar). Inaugurado em 12 de outubro de 1927, o teatro tem estilo tolentino e a decoração é atribuída ao italiano Alexandre Vallati. Durante a inauguração do teatro, às 15 horas daquele dia, a senhora Ambrósia de Paiva Figueiredo (dona Zinoca) representava a mulher varginhense. O Executor da Justiça (Juiz de Direito) Antônio Pinto de Oliveira representava o homem varginhense.

Entretanto, não é só pelo trabalho que muito devemos à gloriosa colônia italiana. É, também, pelo mais importante que nos deixou de sua vida: o seu sangue, que hoje circula nas veias de talvez mais da metade de nossa população.

Como homenagem a todos os italianos relembramos os nomes de muitas famílias italianas que aqui mourejararam e ainda mourejam conosco através de seus descendentes: Amâncio, Aprelini, Adriano, Alegro, Aníbal, Aliplandi, Bíscaro, Bartelega, Baldoni, Benciveni, Caselato, Carluci, Caldonazo, Constancio, Comunian, Ciacci, Cougo, Conde, Cottini, Corcerre, Casagrande, Cainele, Canalonga, Donagema, Dominguito, Domiciano, Dendena, Elizei, Fenoci, Fatini, Foresti, Filardi, Françoso, FAbri, Frogeri, Geraldi, Geraldeli, Guarriero, Dezie, Lentini, Lorenzette, Limborço, Lomonaco, Lucio, Lelo, Levitzchi, Minitli, Maganha, Muoio, Marangão, Massa, Maselli, Médes, Moselli, Miniello, Mangiapello, Módena, Navarra, Natalli, Menegucci, Martinelli, Montevechi, Ossani, Peloso, Pederiva, Perrupato, Pizzo, Pederiva, Petrin, Pellini, Pazzoti, Passatuto, Pazzini, Pazze, Paruci, Piceli, Rotundo, Poquim, Reghin, Reinato, Romualdi, Rosestolato, Saquarema, Sala, Sarto, Sigiani, Semionato, Sicatini, Santão, Sapi, Trobini, Trocoli, Tosi, Fada, Pantulli, Zanatelli, Pala, Gazelli, Rossignolli, Papalli, Vachelli, Dalcin, Baroni, Dallesandro, Valatti, Pressato, De Luca, Regina, Lemini, Bruno, Bertoldo, Pássaro, Trombeta, Marquezini, Mazzeni, Martezzi, Borin.

Roque Rotundo

Roque Rotundo, nasceu em 1875 e veio para o Brasil em 1888. Estudou em São Tomé das Letras, formou-se no curso ginasial e passou a trabalhar no comércio, nesta cidade, na casa comercial de seu futuro sogro, Domingos Conde. Casou-se com Sinhá Conde, logo em seguida montou loja própria que se chamava Casa Rotundo. Nesta casa comercial vendia-se fazendas, armarinhos, calçados e chapéus.

A Casa Rotundo era exclusivista de vários produtos, tendo como marcas principais: Chapéus, Ramezoni, Meias Lupo, Calçados Clark e Staccamachia.

Do casamento de Sr. Roque Rotundo nasceram seis filhos: Roque Rotundo Filho, Ida Rotundo, Miguel Rotundo, Iolanda Rotundo, Maria Rotundo e Nair Rotundo. Roque Rotundo residia e morava, na avenida Rio Branco onde era também a sua comercial, ainda temos hoje este sobrado que é justamente a nossa Câmara Municipal. Os irmãos do Sr. Roque Rotundo, sabendo da sua prosperidade também vieram para o Brasil, em busca de riquezas e vida mais digna. Eram eles, Antônio Rotundo, Ângelo Rotundo, Vicenzzo Rotundo e Giovanni Rotundo.

Vicenzzo voltou para a Itália, onde por ironia do destino, morreu na 1ºGuerra Mundial. Giovanni voltou também para Itália. Antônio, Ângelo e Roque então montaram um comércio de café, em Varginha, com ligação com Rio de Janeiro e em Nápoli, isto por volta de 1920.

Em 31-1-33 veio para o Brasil o Sr. José Rotundo Giuseppe, vivo até hoje, filho de Giovanni, sobrinho do Sr. Roque para estudar e trabalhar. O Sr. José Rotundo, estudou em Nápoli, colégio Salesiano e aqui em Varginha já nos Maristas. Ao terminar o curso ginasial, passou a ser gerente da loja A Moderna tendo como fundador Sr. Roque Rotundo. Seu comércio também constava de fazendas, armarinhos, calçados, chapéus e mais tarde eletrodomésticos. Com a mudança dos tempos e a criação de outros materiais nos anos 50, esta loja mudou bastante o seu estilo. Comercializava discos, eletrolas, artigos esportivos, roupas confeccionadas e fazendas. A loja A Moderna teve uma colaboração no comércio de Varginha. Inaugurada nos anos 40 e funcionou até o ano de 1996 sob a gerência do Sr. Rotundo sem nunca vir a falência. Batista Rotundo irmã do Sr. Roque Rotundo foi casada com Michelino de Luca, um dos fundadores do Moinho Sul Mineiro. Antônio Rotundo voltou algum tempo ainda para a Nápoli, sempre trabalhando com importação de café tendo como centro Varginha. Foi Presidente da Câmara Municipal e naquele tempo quase que prefeito. Os filhos do Sr. Roque Rotundo também nasceram e foram criados aqui em Varginha. Um deles Miguel Rotundo foi dono da Casa das Casemiras e depois sua irmã Maria Rotundo também, sendo que futuramente seu filho Roque Rotundo Gazola passou a ser gerente até o início dos anos 90.

Joaquim Sério

Em 1900 Joaquim Sério adquiriu um casarão na Av. Alves da Silva, ao lado da matriz, atual Av. Rio Branco, que recebeu os primeiros padres e professores que chegavam a Varginha, quando ela ainda era arraial. Nela instalou a Alfaiataria Sério, que em pouco tempo tornou-se a coqueluche local.

Até 1954 Vicente ficou na loja , depois mudou-se para Wenceslau Braz, 275,onde está até hoje. Ele diz sentir saudades da época em que ele e Carolina , sua esposa, ficavam até tarde da noite costurando os vestidos finos das freqüentadoras do Clube de Varginha e das festas do Capitólio.


Excertos do artigo "Influência da comunidade italiana, em Varginha", de autoria do historiador Sr. Nico Vidal, publicado no jornal "Varginha", Órgão Oficial do Município, nº 60, de setembro de 1999.

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Casa da familia Rotundo - Varginha

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