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IMIGRANTES PIONEIROS EM VARGINHA
No século passado, tropeiros compravam mercadorias
em São Paulo e vendiam para o sertão mineiro. Esses comerciantes viajavam em tropas e dormiam em cabanas, erguidas de seis
em seis léguas. O atual bairro da Vargem era um desses pontos de descanso. Neste local surgiu o primeiro povoado de Varginha,
no final do século dezoito. Os primeiros documentos de que se tem notícia sobre a história de Varginha datam de 1780.
Até
1882 Varginha chegou a ter 1700 escravos. O beco onde está o Colégio Pio XII era um centro de comércio de escravos. A cidade
recebia suas primeiras empresas e o movimento era intenso. No relacionamento internacional a situação não era favorável .
A Inglaterra fazia pressões sobre Brasil, um dos últimos países que continuava comercializando escravos. Mercadoria em falta
acarreta alto valor: um escravo passou a custar o equivalente a uma fazenda. O trabalho escravo já não possuía atrativos suficientes.
O Brasil firma, então, um acordo com a Itália, quando vários imigrantes deslocam-se de sua terra natal para o nosso
país. A passagem era paga pelo governo brasileiro, em troca de cinco anos de trabalho na lavoura.
Os primeiros imigrantes
trabalharam nas fazendas de café do município, como as do Cel. João Urbano, Matheus Tavares e Domingos Teixeira de Carvalho.
Após esse período, a comunidade italiana, que veio para a então Vila de Varginha, já está completamente integrada
aos aspectos da sociedade local. Sua presença é intensa, assim como as colônias portuguesa e espanhola. A influência de alguns
imigrantes continua até hoje, através do estilo de diversas casas, principalmente no centro.
Em 11 de agosto de 1895
é fundada a Sociedade Italiana de Beneficência, cuja primeira sede foi construída à rua Wenceslau Braz (no prédio onde funcionou
o Cine Brasil, primeiro cinema itinerante da região, o Banco Nacional e a Sociedade Rádio Clube de Varginha).
Deve-se
ao italiano Rafaelo Romaniello a construção da primeira empresa que fabricava massa. Sua fábrica funcionava em frente à praça
Dom Pedro II, o "Jardim do Sapo". Funcionava através de tração animal. Um burro puxava o maquinário.
Em 1905, o empresário
italiano Roque Rotundo adquire o casarão construído pelo major Matheus Tavares, onde hoje está a Câmara Municipal. Líder da
colônia italiana, Roque Rotundo foi um dos mais expressivos membros da comunidade italiana. Ajudava seus conterrâneos na administração
de seus bens, inclusive fazendo depósitos e retiradas no Banco do Brasil. Em contrapartida, os trabalhadores faziam todas
as compras na Casa Rotundo.
Em 1920, o Censo contabilizava 870 italianos em Varginha. Em 1945 morre Roque Rotundo.
A "Rotundo & Cia Ltda" prossegue suas atividades, passando a vender também brinquedos, antes encontrados apenas na loja
Humberto Conde. Em 1952, Miguel de Lucca, outro italiano que teve importante papel dentro da história de Varginha, sai da
sociedade da empresa para integrar a direção do Moinho Sul Mineiro.
A história do Moinho Sul Mineiro é motivo de orgulho
para toda a cidade. Foi fundado por um grupo de varginhenses, constituído por Miguel de Lucca, Reynaldo Foresti, Heitor Foresti,
José Orlando Fenocci, José Pinto de Oliveira, Álvaro Mendes, Foresti Rotundo & Cia Ltda, Francisco Rosenburg, Osvaldo
de Paiva Pinto, José Adélio de Rezende, Antonio Mendes, Ludovico Loyola, Rubens Vicente de Lucca, João Vidal Filho e Bráz
Paione.
Outra família que participa ativamente do desenvolvimento da cidade é a Navarra. Teve importante papel no
desenvolvimento da siderurgia (fabricação de portões, janelas, decorações em ferro), assim como a família Lentini, que mantém-se
até hoje como uma das poucas empresas da cidade a fabricar equipamentos em aço inoxidável e aço carbono para indústrias.
O
trabalho que marcou para sempre a atuação da família Navarra foi a construção do Theatro Capitólio(lincar). Inaugurado em
12 de outubro de 1927, o teatro tem estilo tolentino e a decoração é atribuída ao italiano Alexandre Vallati. Durante a inauguração
do teatro, às 15 horas daquele dia, a senhora Ambrósia de Paiva Figueiredo (dona Zinoca) representava a mulher varginhense.
O Executor da Justiça (Juiz de Direito) Antônio Pinto de Oliveira representava o homem varginhense.
Entretanto, não
é só pelo trabalho que muito devemos à gloriosa colônia italiana. É, também, pelo mais importante que nos deixou de sua vida:
o seu sangue, que hoje circula nas veias de talvez mais da metade de nossa população.
Como homenagem a todos os italianos
relembramos os nomes de muitas famílias italianas que aqui mourejararam e ainda mourejam conosco através de seus descendentes:
Amâncio, Aprelini, Adriano, Alegro, Aníbal, Aliplandi, Bíscaro, Bartelega, Baldoni, Benciveni, Caselato, Carluci, Caldonazo,
Constancio, Comunian, Ciacci, Cougo, Conde, Cottini, Corcerre, Casagrande, Cainele, Canalonga, Donagema, Dominguito, Domiciano,
Dendena, Elizei, Fenoci, Fatini, Foresti, Filardi, Françoso, FAbri, Frogeri, Geraldi, Geraldeli, Guarriero, Dezie, Lentini,
Lorenzette, Limborço, Lomonaco, Lucio, Lelo, Levitzchi, Minitli, Maganha, Muoio, Marangão, Massa, Maselli, Médes, Moselli,
Miniello, Mangiapello, Módena, Navarra, Natalli, Menegucci, Martinelli, Montevechi, Ossani, Peloso, Pederiva, Perrupato, Pizzo,
Pederiva, Petrin, Pellini, Pazzoti, Passatuto, Pazzini, Pazze, Paruci, Piceli, Rotundo, Poquim, Reghin, Reinato, Romualdi,
Rosestolato, Saquarema, Sala, Sarto, Sigiani, Semionato, Sicatini, Santão, Sapi, Trobini, Trocoli, Tosi, Fada, Pantulli, Zanatelli,
Pala, Gazelli, Rossignolli, Papalli, Vachelli, Dalcin, Baroni, Dallesandro, Valatti, Pressato, De Luca, Regina, Lemini, Bruno,
Bertoldo, Pássaro, Trombeta, Marquezini, Mazzeni, Martezzi, Borin.
Roque
Rotundo
Roque Rotundo, nasceu em
1875 e veio para o Brasil em 1888. Estudou em São Tomé das Letras, formou-se no curso ginasial e passou a trabalhar no comércio,
nesta cidade, na casa comercial de seu futuro sogro, Domingos Conde. Casou-se com Sinhá Conde, logo em seguida montou loja
própria que se chamava Casa Rotundo. Nesta casa comercial vendia-se fazendas, armarinhos, calçados e chapéus.
A Casa
Rotundo era exclusivista de vários produtos, tendo como marcas principais: Chapéus, Ramezoni, Meias Lupo, Calçados Clark e
Staccamachia.
Do casamento de Sr. Roque Rotundo nasceram seis filhos: Roque Rotundo Filho, Ida Rotundo, Miguel Rotundo,
Iolanda Rotundo, Maria Rotundo e Nair Rotundo. Roque Rotundo residia e morava, na avenida Rio Branco onde era também a sua
comercial, ainda temos hoje este sobrado que é justamente a nossa Câmara Municipal. Os irmãos do Sr. Roque Rotundo, sabendo
da sua prosperidade também vieram para o Brasil, em busca de riquezas e vida mais digna. Eram eles, Antônio Rotundo, Ângelo
Rotundo, Vicenzzo Rotundo e Giovanni Rotundo.
Vicenzzo voltou para a Itália, onde por ironia do destino, morreu na
1ºGuerra Mundial. Giovanni voltou também para Itália. Antônio, Ângelo e Roque então montaram um comércio de café, em Varginha,
com ligação com Rio de Janeiro e em Nápoli, isto por volta de 1920.
Em 31-1-33 veio para o Brasil o Sr. José Rotundo
Giuseppe, vivo até hoje, filho de Giovanni, sobrinho do Sr. Roque para estudar e trabalhar. O Sr. José Rotundo, estudou em
Nápoli, colégio Salesiano e aqui em Varginha já nos Maristas. Ao terminar o curso ginasial, passou a ser gerente da loja A
Moderna tendo como fundador Sr. Roque Rotundo. Seu comércio também constava de fazendas, armarinhos, calçados, chapéus e mais
tarde eletrodomésticos. Com a mudança dos tempos e a criação de outros materiais nos anos 50, esta loja mudou bastante o seu
estilo. Comercializava discos, eletrolas, artigos esportivos, roupas confeccionadas e fazendas. A loja A Moderna teve uma
colaboração no comércio de Varginha. Inaugurada nos anos 40 e funcionou até o ano de 1996 sob a gerência do Sr. Rotundo sem
nunca vir a falência. Batista Rotundo irmã do Sr. Roque Rotundo foi casada com Michelino de Luca, um dos fundadores do Moinho
Sul Mineiro. Antônio Rotundo voltou algum tempo ainda para a Nápoli, sempre trabalhando com importação de café tendo como
centro Varginha. Foi Presidente da Câmara Municipal e naquele tempo quase que prefeito. Os filhos do Sr. Roque Rotundo também
nasceram e foram criados aqui em Varginha. Um deles Miguel Rotundo foi dono da Casa das Casemiras e depois sua irmã Maria
Rotundo também, sendo que futuramente seu filho Roque Rotundo Gazola passou a ser gerente até o início dos anos 90.
Joaquim Sério
Em 1900 Joaquim Sério adquiriu um casarão na Av.
Alves da Silva, ao lado da matriz, atual Av. Rio Branco, que recebeu os primeiros padres e professores que chegavam a Varginha,
quando ela ainda era arraial. Nela instalou a Alfaiataria Sério, que em pouco tempo tornou-se a coqueluche local.
Até
1954 Vicente ficou na loja , depois mudou-se para Wenceslau Braz, 275,onde está até hoje. Ele diz sentir saudades da época
em que ele e Carolina , sua esposa, ficavam até tarde da noite costurando os vestidos finos das freqüentadoras do Clube de
Varginha e das festas do Capitólio.
Excertos do artigo "Influência da comunidade italiana, em Varginha",
de autoria do historiador Sr. Nico Vidal, publicado no jornal "Varginha", Órgão Oficial do Município, nº 60, de setembro de
1999.
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