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IMIGRANTES PIONEIROS EM SÃO JOÃO DEL REY
Dezenas de famílias italianas, a partir de 1888, instalaram-se
em São João Del Rey.
Fugindo dos problemas acarretados pela unificação da Itália (guerra, desemprego, fome e miséria)
e atraídos por intensa e bem dirigida propaganda do governo brasileiro, os italianos deixaram sua pátria em busca de vida
digna e prosperidade. Muitos chegaram até o Núcleo Colonial de São João Del Rey, depois de viajarem desconfortavelmente dias
seguidos dentro dos porões dos navios que os expatriavam. Traziam eles na bagagem, além dos poucos pertences, fé, determinação
e hábitos próprios, que aos poucos foram se mesclando aos costumes dos demais habitantes da nova terra. Os imigrantes
italianos começaram a chegar em São João Del Rey exatamente a partir de outubro de 1888 e foram encaminhados paras as cidades
de Bom sucesso, Lavras e Oliveira. Somente em 3-12-1888, chegaram os primeiros colonos destinados ao Núcleo Colonial de
São João Del Rey. Eram 102 italianos, constituindo 22 famílias, destinados à Colônia do Marçal. Segundo os jornais são-joanenses
“O Arauto de Minas”, de 4-12-1888 e a “Gazeta Mineira”, de 11-12-1888, eles foram recebidos e entusiasticamente
saudados na estação de trem da Estrada de Ferro Oeste de Minas, por uma grande multidão à frente de uma banda de música. Os
italianos, com lágrimas nos olhos, responderam à simpática recepção dando vivas ao Brasil, à Dom Pedro II e à Itália. Após
essa leva, outros imigrantes chegaram. Decorridos 15 dias após a chegada dos primeiros colonos, 371 italianos já se achavam
instalados em 6 casas provisórias na Várzea do Marçal, mais 186 na ex-Fazenda de José Teodoro, perfazendo um total de 557
pessoas. Boa parte desse imigrantes italianos vieram da Província de Verona, entre eles, LUIGI GIAROLA, nascido em Cerea,
filho de Paolo Giarola e Teresa Signoretto, casado com VIRGINIA em San Pietro di Morubio, foi administrador geral da Colônia
Italiana de São João Del Rey. Abaixo sobrenomes de italianos que colonizaram São João Del Rey:
AGOSTINO, ALBINI,
ALLEOTI, ALLEVA, AMADEI, AMBROSIO, ANDRETO, ANGELIN, ANGIOLI, ARENARI, ARGENTESI, BACCARINI, BACHI, BAGNI, BALBI, BALDINI,
BALDRATTI, BALDUZZI, BANDIERA, BANDINELLI, BARALDI, BARBE, BARBI, BARBONI, BARTHOLO, BARUFALDI, BASSI, BEDESCHI, BELCHIOR,
BELFIORI, BELLINI, BELLO, BELLUSCHI, BENEDETTI, BENEVENUTTI, BENFENATTI, BERGO, BERINGHELLI, BERMAGOSI, BERNARDINI, BERSANETTI,
BERSANI, BERTELLI, BERTOCHI, BERTOLINI, BERTOLUCCI, BIANCHINI, BIAZUTTI, BINI, BIOTINI, BISCARE, BISOLLI, BIZZAIA, BOADELLI,
BOARI, BOLDRATTI, BOLDRINI, BOLOGNANI, BONFIOLI, BONICENI, BORNELLI, BORSETTI, BOSCOLO, BOTTONI, BRAGIO, BRAVATTI, BRESOLIN,
BRESOLINI, BRIGHENTI, BROGLIO, BUZATTI, CALORE, CALSAVARA, CALVETTI, CAMANZO, CAMARANO, CAMPANATTI, CAMPELLO, CAMPOLONGO,
CANAVESE, CANAVEZ, CANELLA, CAMPOLONGO, CAPRINI, CAPRONI, CAPUTO, CARAVITA, CARAZZA, CARRARA, CASARITI, CASELLI, CASEMIRO,
CASSANO, CASTORINO, CAVALARI, CAVALETTI, CAVALIERI, CAVALINI, CAVALLASI, CAZONI, CAZZONI, CESARI, CHIAMENTI, CHIARINI, CHITARRA,
CHRISTOFOLI, CIAMARINI, CICARELLI, CICARINI, CIPRIANI, CONSALVI, CORROTI, CORTESI, CORTEZZI, COZZI, CUPOLILLO, DA COSTA, DALDEGAN,
D’ANGELO, DAVIN, DE FILIPPO, DELLA COSTA, DELAI, DE LELLIS, DELLA CROCE, , DELLA SAVIA, DE LUCCA, DEL VECCHIO, DEMARCHI,
DETOMI, DILASCIO, DINALI, DONATI, FABRI, FACCION, FACHINI, FAGIOLI, FALCONERI, FALIN, FANTONI, FARAGALLA, FARIGNOLLI, FARNEZZI,
FAVA, FAVERA, FAZANELLI, FERRAREZZI, FINALDI, FIOCHI, FIORELLI, FIRMO, FONTENELLI, FORAZENO, FORMAGIO, FRACCAROLLI, FRANCIA,
FRANZOSO, FRAZZONI, FREALDI, FREDERIGO, FRIGO, FUSATTO, FUSCHINI, FUZATTI, GARDONI, GAIANI, GAIO, GALARANA, GALLI, GALLO,
GARAVELLI, GARBINI, GARBOGINI, GATTI, GAZZI, GEROMINI, GHERELE, GIAROLA, GIOLITTI, GIORGIO, GIOVANNINI, GODI, GOTARDO, GOTTARDELLI,
GRASSI, GRELLA, GRIPPI, GUARINI, GUELLI, GUERRA, GUILARDUCCI, GUITARRA, GUZZO, IMBROISI, INECO, IZOLANI, JANONI, JANUZZI,
LANCETTI, LAUDARI, LIBONI, LIBRENTI, LIMONCINNI, LOBOSQUE, LOMBARDI, LO,BELLO, LONGATTI, LONRENZONI, LORENGIONI, LOVAGLIO,
LOVATO, LUCCHI, LUCIEN, MACERONI, MAGALDI, MAGGIOLI, MAGNAVACCA, MANFREDINI, MANFRINI, MANTOANELLI, MANTOVANI, MARANEZZI,
MARCELLI, MARCHIORI, MARDELATTO, MARGARON, MARGOTTI, MARINI, MARRONI, MARTELLI, MARTINELLI, MARZOCHI, MAURO, MAZZANTI, MAZZINI,
MAZZOLI, MAZZONI, MENEGHINI, MENEGON, MENICUCCI, MENILLOMIATO, MINARELLI, MINQUITTI, MINZON, MISSON, MOEBUS, MONARI, MONDAINE,
MONTOLI, MONTREZOR, MORANDI, MORELLI, MORFETTI, MUFATO, MUGIANI, NAPOLEON, NATALI, NEGRINI, NOZILIO, OTTONI, PADOVANI, PADUAN,
PAGANINI, PAGANUCCI, PAGGI, PAGLIARINI, PALACCI, PALUMBO, PANAIN, PANORATO, PANZACHI, PANZERA, PAOLUCCI, PARIZZI, PARRINI,
PASSARELLI, PASSARINI, PASSINI, PASTORINI, PATERNOSTER, PAVANELLI, PAZIN, PEDRONI, PELUZZI, PENONI, PEPARELLI, PERARO, PELEGRINELLI,
PERILLI, PEZEUTTI, PEZZALI, PIAZZI, PICORELLI, PIERINI, PIERUCETTI, PIFANELLI, PITTI, PIZZA, POLASTRI, PONZETTI, POSSA, POZZA,
POZZATO, PUGLIESI, PUTTINI, QUAGLIA, RADELLI, RANDI, RASTELLI, RIANI, RIGHETI, RIGOTTI, RIVETTI, RIZUTTI, ROLFINI, ROSSATO,
ROSSINI, ROSSITO, ROZZETO, RUBINI, RUFINI, RUSSO, SABIDO, SACHETTI, SALVATORE, SANCETTI, SANTI, SANTINI, SARTINI, SARTORI,
SBAMPATO, SCARPARETO, SCARPELLI, SCHIASSI, SCHIAVI, SCHINGAGLIA, SCULTORI, SERGIONI, SERTIANI, SOAVI, SOGHIRI, SOLVA, SOTANA,
SOTTANI, SPADINI, SPILTRA, SPINELLI, STANCIOLI, STEFANELLI, STERACHI, STREFEZZI, TALIN, TAROCO, TESTONI, TIMPONI, TIRAPELLI,
TOFALINI, TOFOLINI, TONELLI, TORECCHI, TORGA, TORNAGHI, TORTI, TORTIERI, TORTOMANO, TORTORIELLI, TRANQUILO, TRAVAGLI, TREBBI,
TRERÈ, TREVIGIANI, TUBERTINI, TURRA, TUTTI, UNGARELLI, VALINI, VASSALO, VERALDO, VERLICHI, VERONEZZI, VERSALI, VIANINI, VICENTINI,
VICO, VITALLI, VITORELLI, VITTA, VOLPI, VOLTA, ZAGA, ZAGOTTA, ZANDI, ZANETTI, ZANGIACOMO, ZANITTI, ZANNI, ZANOLA, ZANSAVIO,
ZARAMELLA, ZERBNINI, ZERLOTINI, ZINI, ZIVIANI, ZUCHERI.
IMIGRANTES PIONEIROS DE UBÁ
Para fixar com exatidão o histórico da imigração italiana em Ubá,
é necessário dividi-la em duas fases: a primeira, uma imigração espontânea, que teve início no começo da metade do século
passado, até 1888, época da abolição da escravidão. A segunda, de 1888 a 1897, uma imigração gratuita.
Os imigrantes
da primeira fase eram todos italianos do sul da Itália.
Eram todos comerciantes e artífices, caldeireiros, ferreiros,
marceneiros e alfaiates. Não eram agricultores; vinham tentar a sorte sozinhos, com seus ofícios, voltando depois para buscar
as famílias.Os italianos dessa primeira fase migratória, que vieram para Ubá e lá se fixaram.
Os colonos da segunda
fase da imigração para o Município de Ubá, imigração gratuita, que teve início no começo de 1888, quando houve a abolição
da escravidão, ao contrário dos primeiros, eram, a maioria, provenientes do norte da Itália e todos camponeses. A tarefa
desses colonos foi mais árdua. Foram eles os pioneiros das fazendas de café e vinham substituir o escravo, tendo de suportar,
não raras vezes, a brutalidade dos feitores e de algum fazendeiro, habituados que estavam a lidar com os escravos negros.
Mas, sua humildade, sua organização, sua obediência e disciplina e sobretudo sua capacidade de trabalho, conquistaram e a
simpatia de todos, feitores e patrões, que se viram bastante beneficiados com a substituição do braço negro pelo colono italiano.
As primeiras famílias de camponeses que chegaram a Ubá, foram para a Fazenda da Floresta, de propriedade do Dr. Mesquita
Barros.
FELICIO ROCCO FRANCISCO ANTONIO DE FILIPPO - Salerno GIUSEPPE ANTONIO CAVALIERI ANTONIO JORIO
(IORIO, VORIO) - Salerno NICOLAU PELUSO –Salerno GIUSEPPE ANTONIO PELUSO – Salerno GIUSEPPE VALLONE
– Salerno GIOVANNI VALLONE – Salerno GIUSEPPE GIACCOIA – Potenza PIETRO CAIAFFA – Salerno
GIACOMO LANZILOTTI – Cosenza PAOLO STANZIOLA – Basilicata BRAZ BRANDO – Potenza GIUSEPPE
BRANDO (filho de Braz Brando) – Potenza GIOVANNI BRANDO (filho de Braz Brando) – Potenza GIUSEPPE ANTONIO
LAMARCA – Basilicata GIOVANNI GUGLIELMINO – Salerno RAFAEL CITTADINO RAFAEL LAURIA – Casteluccio
Inferiore FRANCESCO LAURIA – Casteluccio Inferiore (sobrino de Rafael Lauria) GIUSEPPE BARLETTA – Basilicata
ANTONIO PAZIENZA – Cosenza GIOVANNI PERILO – Salerno CAETANO BALBI – Salerno FRANCESCO CAPUTO
– Salerno VICENTE GIORGI – Abruzzese DOMENICO ANTONUCCI ANTONIO CATALDO FLORIANO MODA –
Padova FERDINANDO BIGOGNA – Vicenza PIETRO PERON – Padova GOTARDO GAZOLA – Padova LUIGI
MAGATON – Padova MASSIMILIANO MAGATON – Padova LUIGI FUZARO – Ter Barchesse - Treviso ANTONIO
FUZARO – Ter Barchesse – Treviso BARTOLOMEO MANTOVAN – Treviso GIUSEPPE MAGRI – Padova GIOVANNI
GASPARONI – Padova ANGELO CASARIN – Rovigo AMEDEO CAFFINI – Padova ANTONIO CANDIAN – Padova
FAMILIA PARMA – Forli COSMO CANESCHI – Val di Chiana – Toscana GIUSEPPE MIOTTO – Treviso
CAMILO DI SANTI – Salerno BRAZ DAMIANO – Potenza QUINTINO POGGIALI – Forli RAFAEL GIRARDI
– Salerno VICENTE PALERMO – Basilicata GIUSEPPE PONGIDORO – Salerno FRANCESCO CRISPI GENNARO
CRISPI NICOLA PARA – Ancona GIOVANNI AMATO – Salerno ANTONIO AMATO – Salerno FAMILIA TREVISANO
– Treviso FRANCESCO TOMMASI – Venezia GIACINTO CUSAT – Salerno CILIDONIO MAZZEI – Pistoia
FAMILIA BRUNINI DONATO QUAGLIETA – Salerno AGOSTINO GENTILE – Reggio Calábria GIUSEPPE ZANARDI
– Mantova NILO LENTINI – Cosenza NICOLA CAMPAGNA COSMO CAMPAGNA GIUSEPPE PELUSO – Castelucio
Inferiore ATTILIO RINCO – Verona GIORDANO CODDO – Salerno ALFREDO CODDO – Salerno OSCAR
BRESSAN – Vicenza GIULIO FOFANO – Treviso PIETRO FOFANO – Treviso EMILIO PIOTTO – Vicenza
AFFONSO THEODORO DE FILIPPO – Sicili - Salerno RAFAEL DE FILIPPO – Salerno AFFONSO DE FILIPPO –
Salerno DANIEL MAGRI ODORINO MAGRI CESARIO BALBI GIOVANNI BALBI FRANCESCO STODUTO – Salerno GIUSEPPE
DE FILIPPO – Siocili – Salerno GIUSEPPE CIOFFI – Sicili – Salerno FRANCESCO SPIRITO AFFONSO
SPIRITO RAFAEL VASSALLO – Salerno GIUSEPPE LA ROCCA BERNARDO PADULA – Salerno FRANCESCO PROVENZANO
FREDERICO GORI – Arezzo NAZARÈ SINGULANO – Ancona GUSTAVO GORI – Arezzo SALVATORE MARAZZO
– Salerno SEBASTIANO DE LUCCA SILVIO SAVINO GIUSEPPE CAMPOMIZZI – L’Aquila SAVERIO SERRATO
– Salerno DOMENICO MUSITANO – Reggio Calabria FRANCESCO MUSITANO – Reggio Calábria ANTONIO SECCHI
– Sassari ATTILIO BURATO – Padova AUGUSTO CORBELLI – Forli EDUARDO MARCATO – Treviso ALBERTO
ZORZAN – Padova VICENTE SPOSITO – Cosenza FRANCESCO SPOSITO – Cosenza ATTILIO PELEGRINI –
Maratea – Potenza GIORGIO CIOTTI GIUSEPPE MAZZONI – Salerno PADRE VICENTE MEGA DOUTOR BONOMO –
Salerno DOUTRO GIUSEPPE DE TOFOLI – Treviso DOUTOR GAVVINO FADDA – Cagliari – Sardenha DOUTOR
SAVERIO MASSI BENEDETTI FRANCESCO SENO – Padova
MONTE SIÃO
Três aspectos importantes marcaram a história de Monte Sião. Primeiro o período ante
imigração italiana, exploração do solo na extração de minérios valiosos, pecuária e agricultura, região até então desconhecida.
Segundo, a imigração italiana que viria a firmar Monte Sião na história no final do século passado. Para confirmar este fato,
basta fazer um passeio pela cidade e constatar a influência de alguns nomes de origem italiana em suas ruas. A imigração
italiana em Monte Sião mudou definitivamente o rumo da história da cidade. E um terceiro e último aspecto, o início da
indústria do tricot, apesar de artesanal no início, porém importante, colocaria a cidade num estágio avançado da industria
de malhas, reconhecida internacionalmente.
A migração Italiana "A partir de 1887 Monte Sião começava a receber
as primeiras levas de imigrantes, pobres, oriundos da Europa, para as atividades rurais, principalmente na maior produção
do café. Sob forte influência dos imigrantes italianos que, desde então, continuavam se instalando no Distrito; este lugar
conhecia dias agitados, jamais vistos antes, bem ao sabor de seus novos habitantes, um povo vigoroso, falante, de sangue quente,
disposto ao trabalho. Havia uma espécie de 'Consulado' clandestino, instalado no bairro da Guardinha, distante 13 quilômetros,
onde residia e predominava o 'Consul' Pellegrino Tortelli, um dos primeiros italianos a pisar o solo monte-sionense. Ali já
se achavam também os Pamontin, que cuidavam da fabricação do vinho para a pequena colônia, que começava tomar corpo e se estender
por toda área da Freguesia. As famílias que chegavam, a maioria procedente do porto de Santos e mais de perto através
de Amparo e Bragança, logo se dirigiam para o referido 'Consulado' e, depois de instruídas onde melhor se fixar, partiam direto
para as fazendas de café e algumas, mais instruídas, para a sede da paróquia(¹). Já no início do novo século, a agricultura,
base econômica de Monte Sião, era sensivelmente incrementada pelo trabalho ingente e perseverante dos imigrantes. A sede prosperava
a olhos vistos com a abertura de vias públicas, construção de grande número de casas residenciais e comerciais, mudando radicalmente,
também, toda estrutura social e política do lugar e particularmente todo sistema de vida de sua comunidade até então muito
enclausurada e circunspecta. Os italianos, já em grande número, além de suas excelentes qualidades no trato da terra,
agitavam tudo, ingressavam e engrossavam sem cerimônia na política partidária, quando Monte Sião começava sonhar com sua emancipação.
Essa gente buona e alegre, de fato, chegava para modificar e até bagunçar todo plano e hábito do pequeno lugar, tanto
na parte política, como em todas as atividades sociais, religiosas, econômicas, educativas e principalmente culturais. Assim
se desenrolava, no começo do século XX, a altiva herança do major Antonio Bernardes de Souza, dentro de uma sucessão de fatos
os mais significativos, como falam os documentos históricos e rezam as tradições.(²)" (1) A dificuldade de comunicação,
da complicada língua com seus dialetos, era também a razão pela qual os primeiros italianos que aqui chegando se dirigiam
logo ao bairro da Guardinha, para receber orientações do 'Consulado'. (2) Cerca de 300 famílias imigrantes faziam deste
lugar uma grande colônia italiana, com suas origens e costumes das mais diferentes províncias da Itália. Ao aportar nestas
terras, esse povo lutador trouxe na mala seus costumes e tradições. Dentre eles, uma arte, que faz Monte Sião ser famosa em
todo o Brasil e até no exterior: o Tricô. As mulheres, que até então esperavam o lucro da agricultura para alimentar os
filhos, puseram fé no fio de lã e com muita habilidade no uso das agulhas iam tecendo o que jamais imaginaram: uma economia
forte. Para ajudar no sustento faziam peças de tricô e iam para a praça pública vender. Foi um sucesso. Aí entrou em cena
Dona Iracema Andreta Francisco, hoje com 74 anos. Foi ela quem comprou, com dificuldade, a primeira máquina de Monte Sião.
A velha e boa Lanofix. Quando a máquina chegou foi um alvoroço. Esta máquina está exposta no museu histórico e geográfico,
pertence à Fundação Cultural "Pascoal Andreta", entidade sem fins lucrativos, local onde todo turista que passar por Monte
Sião não pode deixar de visitar. E foi no começo da década de 70 que o tricô saiu das praças para entrar numa nova etapa.
"Foi eu quem começou tudo isso", declara Dona Iracema, que conseguiu criar todos os filhos, sendo que uma delas se casou com
um vestido de tricô feito pela mãe. De lá para cá, muita coisa mudou. As mulheres ensinaram os homens e hoje existem na
cidade casos como o de Belmiro Carlos Odinino, que sem se render as grandes evoluções tecnológicas das máquinas, produz, com
uma Elgin, 25 macacões de bebê por dia. "Tenho bons lucros e uma vida boa, a família está satisfeita", finaliza o micro-empresário.
Andreta, Ondino, Bernardi, Labegalini, Canela, são sobrenomes que traduzem a força do sangue italiano no sucesso de Monte
Sião. Italianos que ficaram mineiros, ou italianas que ficaram mineiras. Mulheres fortes que hoje se orgulham da tradição
que consolidaram.
Fonte: Associação Comercial e Industrial de Monte Sião
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